domingo, 19 de outubro de 2008

Pesquisas confirmam que brasileiros não querem parar de comprar

Os sintomas de contaminação da economia brasileira pela crise financeira internacional já começam a aparecer. No consumo, a principal novidade é o encarecimento do crédito e o encurtamento dos prazos de financiamento. Só para dar um exemplo, muitos brasileiros compraram recentemente automóveis em até 72 prestações. Hoje, no entanto, o número possivel de parcelas baixou radicalmente pela metade - o preço agora pode ser dividido no máximo em 36 vezes.

Isso teoricamente afetaria bastante a intenção de compra de carros, eletrodomésticos e móveis nesse fim de ano, certo? Bem, em teoria sim. Mas os brasileiros parecem querer driblar a crise. Estudo divulgado essa semana pelo Provar, Programa de Administração de Varejo da USP, mostrou que 74% dos entrevistados pretendem comprar bens duráveis e semi-duráveis entre outubro e dezembro desse ano. Não é incrível? Outra pesquisa, feita pelo instituto Qualibest para o jornal Valor Econômico, mostrou resultados parecidos. Embora 55% dos entrevistados tenham dito que mudaram de atitude em relação ao consumo após o início da crise, o percentual de brasileiros que planejam comprar eletrônicos ou eletrodomésticos nos próximos 6 meses chega a 54%. E cerca de 1/3 ainda querem trocar de carro nesse mesmo período.

Esses dados são coerentes com o Índice de Confiança do Consumidor que a Fecomercio-SP divulgou ontem. Os números mostram que o otimismo dos brasileiros permanece em alta em outubro, apesar das fartas notícias sobre a crise. Porém, apesar de otimistas e consumistas, os brasileiros de fato estão reduzindo a velocidade no que diz respeito a compra de alguns produtos. A Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, que saiu essa semana, mostrou que todos os segmentos do varejo apresentaram crescimento em agosto, em relação ao ano passado. Mas apesar do aumento de 9,8% no volume geral de vendas, automóveis e materiais de construção reduziram significativamente o ritmo de crescimento na comparaçao com 2007. De todo modo, a vontade de comprar continua elevada. Quem conseguir manter preços e condições de pagamento favoráveis, provavelmente não terá surpresas ruins nesse Natal.

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